Terça-feira, 2 de Junho de 2009






MERDA
















Nem a loucura do amor, da maconha, do pó,
do tabaco e do álcool.
Vale a loucura do ator quando abre-se em flor
sobre as luzes no palco.
Bastidores, camarins, coxias e cortinas.
São outras tantas pupilas, pálpebras e retinas.

Nem uma doce oração, nem sermão,
nem comício à direita ou à esquerda.

Fala mais ao coração do que a voz
de um colega que sussurra "merda".

Noite de estréia, tensão, medo,
deslumbramento, feitiço e magia.
Tudo é uma grande explosão mas parece
que não quando é o segundo dia.
Já se disse não foi uma vez, nem três, nem quatro.

Não há gente como a gente, gente de teatro.
Gente que sabe fazer a beleza vencer
pra além se toda perda.
Gente que pôde inverter para sempre
o sentido da palavra "merda".

Merda! Merda pra você!
Desejo merda.
Merda pra você também.
Diga merda e tudo bem.

Merda toda noite e sempre a merda.

1 Comentários:

Blogger Guilherme Montoia disse...

Super inspirado o Senhor Caetano Veloso..........

2 de Junho de 2009 14:02  

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